Universidade Federal de Ouro Preto: onde a homofobia é institucionalizada

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Universidade Federal de Ouro Preto: onde a homofobia é institucionalizada

Edição posterior (12/01/18): esta postagem foi escrita no primeiro semestre de 2015. Os relatos aqui anunciados podem estar desatualizados e/ou não condizer com a realidade atual. Se estiver preocupado(a) sobre ingressar, procure o grupo da UFOP no Facebook e consulte os estudantes.

Quando descobri que eu tinha passado para a UFOP esse ano, fiquei muito feliz. Fui aprovado para uma das faculdades mais conceituadas do país para um curso ótimo. Voltei a ficar perto dos amigos de infância e das origens da minha família, e vim morar em uma das cidades mais históricas e significativas do Brasil. Era tudo flores, mas logo que cheguei tomei um susto. Procurando por repúblicas para morar, me deparei com um problema que eu jamais imaginei que minha geração ainda precisaria lidar: ninguém me queria.

Esses homens não me conhecem. Não sabem de onde eu venho, não sabem o que eu já estudei, nem de quem sou filho, o que faço, o que sei ou o que penso da vida. A cada minuto chegavam mais e mais mensagens de repúblicas federais e privadas me convidado para conhecer suas casas, bater um papo, tomar um “café”. Todos me parabenizando por ser mais um que entrou em uma das Engenharias. Até aquele ponto, eu só era um calouro e, por extensão, tudo que eles queriam e procuravam: mais uma pessoa para dividir custos e biritas, ou mais alguém para levar adiante a tradição da casa. Achei que seria fácil, que eu teria um leque de opções e que encontraria o lugar que tinha mais a ver comigo em pouco tempo.

Infelizmente, em Ouro Preto, estar fora do armário não é algo visto como corajoso, sincero ou sensato. Por respeito, minha atitude em todas as repúblicas que me interessaram foi a de assumir (de novo). Mesmo depois de ter conversado com esses vários universitários e me dado bem com eles, contado um pouco de quem eu sou e de onde vim, a partir do momento que eu me assumi, deixei de ser calouro e me tornei mais um gay que chegou na cidade. Alguém que não tem direito de entrar nas repúblicas federais (gratuitas, públicas e – teoricamente – de livre acesso para estudantes que não têm condições de pagar as privadas) e que não deveria se misturar com a tradição universitária ouropretana. Se às 10h da manhã eu tinha 10 casas para morar, às 10h da noite eu não tinha nenhuma. E entrei em pânico.

Por sorte, as pessoas vão se virando, e afinal o ser humano é ótimo contra adversidades. Como eu obviamente não sou o primeiro homossexual a chegar em Ouro Preto para cursar o Ensino Superior, pude encontrar amigos, fazer novos, encontrar uma casa fantástica e entrar na vida social da cidade. O incômodo que não passa, no entanto, é o absurdo de conviver com a realidade de que os gays estão segregados, assim como certos cursos, por simples implicância e desinformação. É impossível ignorar o fato de que repúblicas federais deveriam ser para todos, em especial os que delas precisam, e não só para heterossexuais dispostos a passar por trotes mais severos. Não me conformo que, a essa altura do campeonato, pessoas com menos de 25 anos de idade ainda estejam assimilando e repassando a ideia de que nada há de proveito em um ser humano se “gay” for uma característica.

Não vou dizer que essa é a primeira vez que enfrento preconceito, até porque isso seria impossível, mas em outros cantos onde estudei, como no Rio de Janeiro, vencer isso foi fácil. Meu curso de Biblioteconomia me introduziu a um campus onde a homofobia é praticamente inexistente, e os poucos que ainda estranham a homossexualidade acabam percebendo que não existe nenhum monstro ali, aprendem a conviver e se integram. Meu melhor amigo do curso era hetero e eu nunca tive que lidar com um olhar torto. Depois de um ano e meio, quando mudei para Administração, foi um pouquinho diferente. Eu era o único gay da turma, ou o único que tinha um relacionamento declarado no Facebook e não ligava de responder perguntas sobre isso. Os meninos estranharam porque nunca lidaram com isso, mas em duas horas estávamos todos bebendo como se nos conhecêssemos há dois anos. Vieram as perguntas curiosas e, depois de respondidas, ser gay voltou a fazer parte do segundo plano na minha vida. Me acostumei com isso, com a ideia de que as pessoas da nossa geração eram sensatas e compreendiam que é impossível todo mundo gostar da mesma coisa. Me enganei.


Muito pode ser dito sobre a rejeição de gays em repúblicas masculinas. Dos argumentos mais usados, alguns homens dizem se sentir desconfortáveis de se trocar na frente de um homossexual, como se uma pessoa gay jamais tivesse visto um homem pelado na vida ou como se todos os heterossexuais provocassem uma atração violenta em homossexuais que os fizessem tornar-se predadores sexuais automaticamente. Bom, sabemos todos que nenhuma das duas coisas é verdade. Hetero, eu também uso banheiros públicos, com mictórios sem divisórias e chuveiros sem cortina. Eu também frequento vestiários de clubes, e já vi amigos – gays e heteros – pelados. Já namorei e já fiz muito sexo nessa vida. Seu corpo não é nenhuma novidade para mim, e a menos que você também seja gay, não tenho o menor interesse nele. Lembre-se que virei seu colega de quarto porque precisava de um lugar para morar enquanto estudo na faculdade, não para fazer orgias.

Outros homens também gostam de usar o argumento de que rejeitar gays é uma forma de prevenir confraternizações inadequadas, o que chega a ser mais absurdo do que o argumento acima. Ora, sabemos todos que em qualquer república, onde camas de solteiro são a norma, o coleguinha sai do quarto quando o outro arruma uma parceira. Sabemos também que se um não quer, dois não brigam. Se dois gays são irresponsáveis de começar a se pegar numa casa masculina, eles devem sim ser punidos de forma proporcional, mas isso não significa que todos os universitários homossexuais precisam ser punidos pela possibilidade. Se fosse assim, não haveriam repúblicas mistas, e se confraternização realmente fosse um problema sério para os estatutos, Ouro Preto não teria a fama de suruba que tem.

Não há mais argumentos, o resto é preconceito. Fomos criados para acreditar que o gay bicha é insuportável, barulhento, inconveniente e desnecessário. Fomos criados para acreditar, até, que ele é uma aberração da natureza que não pode ser encorajada – como se o comportamento inerente a um ser humano pudesse ser ensinado. A verdade é que não tem nada de errado em ser um homem feminino, e percebo que os heteros que perceberam isso acabaram gostando muito de ter amigos com pontos de vista diferente, bem como comportamentos. Desconsiderando a feminilidade, a própria homossexualidade já é tida como insuportável. Nenhum decano vai dizer “Podemos aceitar gays, desde que sejam discretos/homens/de boa.” O que você provavelmente vai ouvir é: “Não aceitem gays, digam que não faz o perfil ou qualquer coisa do tipo.” Você também não vai ouvir a verdade, porque eles sabem que não podem dizê-la, em especial as federais.

E se um universitário gay decide contar que gosta do mesmo sexo quando já estiver lá dentro? Bom, o mais provável é que esse universitário não dure muito mais naquela república. Entre a expulsão imediata e o bullying agressivo, muitas histórias hão de ser contadas. Mas o fim delas é sempre o mesmo: já era. O sentido que consigo encontrar nesse comportamento é o de que republicanos têm medo de manchar o nome. O fato de que existe um homossexual assumido em uma república repercute pelos círculos sociais e chega a todos. As zoações acompanham. De súbito, uma festa já não enche tanto, os colegas dão risadas abafadas, todos começam a ser tidos como gays. Difícil manter uma república assim. Ou, afinal, como apresentar uma república para os pais de um novo calouro quando tem um homossexual na casa? Eles podem achar ruim, impedir o filho de entrar lá. O importante é a rotação, logo o nome precisa ser protegido. Os homens republicanos, viris, heterossexuais machos e cheios de amor para dar não têm que lidar com o infortúnio do coleguinha gay, certo? O que nenhuma das repúblicas conseguiu entender até agora é que se todas elas deixassem de ver problema na questão, nenhuma delas acharia motivo para diminuir, caçoar ou desrespeitar um nome ou tradição. Mais alarmante ainda: eles não foram capazes de constatar que as vagas seriam preenchidas muito mais rápido, e que o preço do aluguel da cidade inteira poderia ser menor. É, tô falando sério, gente: vocês acham que gay se enfia debaixo da ponte quando você diz não? Não, cara, ele procura outras pessoas que tiveram o mesmo destino, aluga mais uma casa e vai estudar. Isso não ajuda muito na especulação imobiliária já deturpada da cidade.

Há também uma pérola interessante nas justificativas de não permitir gays: se um entrar, no período seguinte ele chamará os amigos, que no período seguinte chamarão os amigos. Em tempos de ditadura gay, quem não há de dizer que esses homossexuais autoritaristas e com sangue nos olhos não vieram para raptar e homossexualizar repúblicas inocentes? Claro, essa sempre foi nossa ideia. A gente entra na faculdade para roubar espaço dos outros e instaurar o gayzismo, porque duh, não temos nada melhor para fazer. Não, sério: eu vim estudar Engenharia para propagar a homossexualidade. Não é sarcasmo, eu juro.

Enfim, o que acontece em Ouro Preto é, de todas, a pior das realidades: os poucos gays que têm coragem de se assumir na faculdade acabam se isolando, convivendo entre si mesmos, com uma perpétua sensação de que talvez não sejam tão quistos ali, ou de que talvez estejam perdendo alguma coisa, ou de que gostariam de estar vivendo entre amigos mais diversos. Enquanto isso, os homossexuais mais assustados e inseguros acabam entrando nas repúblicas em segredo, sem poder namorar, conhecer alguém ou no mínimo contar a verdade. Se escondem, fingem gostar do que não gostam, mentem para os “amigos”. Riem e debocham da própria orientação, sentindo uma dor bem característica e se enfiando mais no poço de insegurança. Alguns acabam entrando em colapso e causando escândalos, quando não aguentam mais estar sozinhos e põem a mão na virilha do colega. O resultado é óbvio: o gay acaba sendo visto como algo pior, os heteros sentem-se ainda mais ameaçados pela diferença e a cidade de Ouro Preto permanece como uma fábrica de formandos acuados, que seguem adiante na mentira, na desilusão e na infelicidade.


Se você acha que o problema acaba nas repúblicas, pense de novo. A cultura republicana de Ouro Preto também afeta os universitários em geral, e de uma forma muito mais grave: ela gera desrespeito por outros profissionais. Em algum momento da história brasileira – não entrarei no cenário internacional aqui, porque não vem ao caso – os cursos da área de Humanas foram relacionados à homossexualidade. Sensibilidade, elucidação e interpretação tornaram-se características femininas. Ignoramos o fato de que homens – heterossexuais em sua maioria – iniciaram o Teatro, muitas vezes se vestindo de mulheres para representá-las, já que elas não eram consideradas capazes de interpretar. Ignoramos o fato de que grandes bandas que fizeram história eram compostas de homens heteros. Ignoramos que o jornalismo não tem sexualidade – e nem gênero. Para o cursante heterossexual médio de Ouro Preto, a cidade de Mariana – onde se concentra a maioria dos cursos de Humanas – é lugar de viado. E “ainda bem”. Mal sabem eles que, enquanto as pessoas em Mariana crescem e aprendem a respeitar de tudo e a todos, Ouro Preto segue estagnada. E eles também são capazes de realmente acreditar que a situação ouropretana faz deles mais homem do que os “marias” de Mariana.

Deixando um pouco de lado o fator homossexualidade, me parece absurdo que o feminino seja insistentemente visto como negativo ou inferior para os homens heteros. Como o ser humano é capaz de inferiorizar aquilo que, ao mesmo tempo, ele mais admira – ou diz admirar? Como endeusar e admirar a mulher e, ao mesmo tempo, ridicularizar e diminuir seus traços mais comuns? Nunca consegui ver sentido nessa lógica, e sigo não conseguindo. Gostaria muito que um homem heterossexual fosse capaz de me explicar como ele mantém esse raciocínio tão falho, o de que um homem que expressa características femininas é tido como fraco, emasculado ou inferior.

Já de volta às profissões, faculdades mais saudáveis, onde os cursos são integrados e unidos, acabam por formar pessoas que valorizam os profissionais. Professores, atores, músicos, jornalistas, advogados, engenheiros, médicos, museólogos, farmacêuticos, físicos, são todos vistos como pessoas competentes que concluiram o Ensino Superior e partiram para o mercado de trabalho para melhorar o país. Em Ouro Preto, estudantes acabam formados para acreditar que os formandos de Mariana são simplesmente menos. E sim, talvez muita gente levante o nariz ante essa afirmação, mas isso tem muito a ver com o tanto que Humanas aceita os gays e com a associação que as pessoas fazem entre sexualidade e gosto.

A relação entre a personalidade das pessoas e os cursos onde entram vai muito mais além do que é proposto por esse texto. A fala “Eu sou de Humanas”, assim como a “Eu sou de Exatas”, faz parte de papos e brincadeiras entre amigos. E por quê? Não dá para ser os dois? Ser de um “lado” ou do outro nos define como? De onde vem a formação? E, por fim, como chegamos ao ponto em que uma pessoa de Engenharia evita um amigo de Artes Cênicas? Isso é necessário ou jusificável? Dentro do mesmo campus, na cidade de Ouro Preto, onde mal temos 15 mil alunos, precisamos ser desunidos porque um homem gosta de usar saia e o outro boné? Conseguimos chegar a um estado tão mesquinho de polarização que vestimenta, sexualidade ou interesse profissional nos impedem de conhecer pessoas e fazer amizades?


A situação não é só responsabilidade dos estudantes. Como aconteceu em Mariana, já passou da hora das repúblicas federais em Ouro Preto mudarem o sistema. Enquanto lá os ingressantes não mais precisam enfrentar as pesadas “batalhas” pela vaga e a mentalidade geral é mais aberta, aqui nenhum dos dois é realidade. Embora interessante, esse formato engessa a tradição da cidade e impede que as pessoas se tornem mais tolerantes. Veteranos mais velhos, já convencidos de que os gays são uma pandemia, passam isso adiante para os mais jovens, mantendo a cultura da homofobia, da graça de zoar um viado. Seguindo o exemplo das federais, as particulares não veem problema em manter as coisas como são. Isso acaba favorecendo a aceitação de pessoas que talvez nem precisem da república gratuita, e a rejeição de pessoas que, ao ver das gerações anteriores, não se encaixam. Para ajudar, ex-alunos interferem na opinião e nas atitutes tomadas pelos atuais cursantes. Por terem vivido a mesma cultura e a mesma tradição, o reforçado é o mesmo. Nada muda.

Enquanto isso, nos corredores da direção da UFOP, a faculdade continua achando que isso é um problema que precisa ser resolvido entre os alunos, algo que não os envolve. Alunos têm medo de procurar a faculdade com queixas sobre repressão ou preconceito pela possível retaliação que viria dos membros da república a ser punida. Coordenadores e orientadores continuam acreditando que as coisas estão boas como estão, e que há choro desnecessário. Muitos concordam que ficar no armário é o mais louvável e digno de um homossexual, afinal eles não deveriam “esfregar na cara dos outros”. Eu gostaria mesmo de saber o que qualquer heterossexual acharia se alguém dissesse na cara deles que não podem ficar com ninguém a não ser que seja num beco escuro. Que não podem levar ninguém para casa ou se relacionar. Que precisam esconder toda e qualquer forma de afeto que mantêm por outras pessoas. Acho que ninguém gostaria de ouvir isso. Novas repúblicas gratuitas estão sendo construídas nas terras da faculdade e, ao invés de uma iniciativa que pudesse mudar a situação, repúblicas particulares tradicionais foram convidadas para ocupá-las. Vale notar: nenhuma delas têm gays.

Festas nas repúblicas continuam tendo preços diferentes para homens e para mulheres, a fim de que a “oferta” seja ampla. A cultura do estupro de mulheres continua em alta. Parte da tradição é que placas de repúblicas femininas sejam roubadas para que suas moradoras tenham que ir até a casa dos “ladrões” para reclamá-las em um social, como se mulheres fossem incapazes de aceitar um simples convite. Coletivos LGBT mais agressivos (no sentido de que se manifestam, fazem atos e enfrentam a tradição e a faculdade) têm integrantes ameaçados de morte. Amigos – inclusive entre os que conheço – já tiveram que sair de perto de repúblicas porque seus moradores começaram a reclamar de um beijo na rua, como se o espaço público também fosse deles. “Respeita a casa, faz isso em outro lugar!”, como ouviu meu amigo. Para eles, é como se ele estivesse ficando com uma das namoradas da república. Um desaforo, não uma demonstração de afeto. E tudo isso vindo de pessoas com menos de 30 anos.


Como nada realmente fica parado, felizmente as coisas estão melhorando, embora a passos lentos. Grupos no Facebook ajudam gays a se conhecerem e se protegerem – tanto da homofobia quanto da rejeição das repúblicas. Mesmo dentro da Engenharia, um grande grupo nacional se mantém unido para integrar os homossexuais no ramo e fornecer apoio. Repúblicas – em especial as particulares, com uma excessão entre as federais – começaram a mudar de atitude e se tornar mais inclusivas. Movimentos sociais pequenos começam a tomar forma e timidamente aparecer em janelas dos prédios da faculdade, embora a mesma não tenha o menor interesse em ajudar. Infelizmente, a UFOP não é uma faculdade que conta com palestras sobre inclusão social ou integração, e aparentemente isso não vai mudar tão cedo.

Repúblicas gays começaram a surgir. São poucas, menos ainda com nome, e passam pela cidade dividindo espaço com as que ali estão para os heteros. Se eles soubessem quantos dos seus vizinhos poderiam ser amigos deles, o quanto as repúblicas poderiam ser maiores e mais fortes, mais diversas e interessantes, talvez não prezassem tanto pelo retrocesso. A infelicidade é a realidade atual, onde gays se escondem e heteros se afastam, onde a segregação anda em alta – por um lado como instinto de autopreservação, por outro como repulsa ao estrangeiro – e onde o futuro não parece tão promissor ainda.

Não só os heteros podem ser responsabilizados pelo cenário atual, mas também os gays. Em todos os lugares onde já vivi – inclusive no Pará -, a sexualidade era algo tranquilo de assumir, algo pessoal com que ninguém se importava, fosse uma ou outra. Gays fazem parte da sociedade, sempre fizeram, e ultimamente não têm tido medo de se afirmar. Era de se esperar que uma cidade universitária seguisse o exemplo assim como outras mais inclusivas – só em Minas Gerais temos Diamantina, Lavras e Viçosa como exemplos claros de que diversidade não piora nada – mas não é o caso. Em Ouro Preto, no entanto, as coisas não têm sido as mesmas, de um lado pela tradição forte que não tolera os gays, do outro pelo medo de jovens homossexuais de enfrentar mais rejeição, antagonização e isolamento por simplesmente serem quem são. Todos saem perdendo.


Se você é heterossexual, homem ou mulher, ou se você é gay, no armário ou assumido, lésbica ou transexual, o que você pode fazer é sua parte. Não custa nada reclamar de um comentário homofóbico. Não tem problema questionar por que sua república não aceita pessoas diferentes. Ninguém vai achar que sua casa é toda gay por um dos moradores ser. Os gays não vão te morder, provavelmente está ali só um ser humano que pode acabar se tornando um amigo. A tradição não precisa ser perdida só por precisar se tornar mais tolerante e contemporânea. E enfim, seja um ser humano decente: trate os outros como gostaria de ser tratado. Respeite, tenha consideração e ponha-se no lugar do outro. Responsabilize-se. Cresça. Estamos aqui para estudar e para nos tornarmos pessoas melhores. A situação de Ouro Preto, como está, não ajuda nessa tarefa.

Como mensagem final àquele ou àquela que se sentiu ofendido(a) ou ameaçado(a) com esse texto, uma informação de consolação: relaxa, podia ser pior. Enquanto aqui ainda estamos tentando resolver nossa cabeça para aceitar homossexuais, uma fraternidade americana aproveitou uma excursão para cantar no ônibus sobre como nenhum negro jamais fará parte de lá. Podemos ser atrasados, mas tem gente mais atrás ainda, né?

Boa sorte, Ouro Preto. E boa sorte pra mim, que passarei os próximos 5 anos enfrentando essa cidadezinha parada no tempo, que mesmo depois de 400 anos ainda não conseguiu vencer o preconceito.

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By | 2018-01-12T14:47:44-02:00 março 25th, 2015|Político|60 Comments

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Claudio
Mineiro de 25 anos apaixonado por tecnologia, inovação, ciências e comunicação. Ávido por aprender e compartilhar cada vez mais, e apaixonado por emitir opiniões que possam tornar o mundo melhor.

60 Comments

  1. Avatar
    Luciana Ferreira 03/26/2015 at 09:34 - Reply

    Há muita coisa a ser dita, mas a maioria se cala, se esconde. Não tiro a razão de cada um, pois o medo tem suas razões, porém, já passou da hora de expor o que realmente acontece na vida estudantil ouropretana.

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      Gustavo Santos 03/26/2015 at 17:08 - Reply

      Até quando assistiremos a episódios lamentáveis como este, de desrespeito ao ser humano, aqui em nosso país, nosso estado, nossa cidade? Muito bem, que seja relatado, exposto, debatido, alterado! Que dias melhores, estudantes melhores, engenheiros melhores se façam presentes na nossa Ouro Preto! Que as experiências presentes e futuras do autor sejam bem distintas desta e agradáveis!

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      Fabrício Ferreira 03/26/2015 at 17:12 - Reply

      Eu estudei, passei dias, meses, anos horrendo aí! Nunca mais quis voltar, agora recebi o link de amigos, que também passaram os mesmos horrores que eu e nossas tragédias, finalmente, ganharam voz, texto! Como bem disseram “Há muita coisa para ser dita” ainda. Mas eu ainda não tenho a coragem, que o autor teve! Parabéns ao autor!

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      Gilmar dos Santos 03/26/2015 at 17:19 - Reply

      Parabéns ao corajoso autor! Endosso os relatos! E se tivesse coragem acrescentaria muito mais abusos, preconceitos! A infernal vida estudantil ouropretana para muitos é muito além de um inferno, são humilhações,que nunca se apagam! Se eu pudesse voltar no tempo, não teria ficado aí, teria deixado de estudar, tentado outra universidade, mas não teria permanecido aí! Vejo que as perdas forma muito maiores que os ganhos! Não valeu a pena! Acho extremamente útil que tudo isto venha à tona, pois poderá alertar muitos estudantes para a real e concreta vida estudantil ouropretana com os afamados “engenheiros”!

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      Valquíria 03/26/2015 at 17:30 - Reply

      Parabéns! Que maravilha! isto precisa ser replicado para muitos outros “sites”, para muitos jornais, inúmeras rádios, diversas tvs, precisamos enviar este link para todas as nossas listas. Foi assim, com ampla divulgação dos reais problemas que a vida estudantil ouropretana apresenta que se muda, que se altera a realidade. Vejam 2 reportagens falando do problema da “overdose”. Uma de 2012, outra de 2015! A ampla divulgação do problema, o enfrentamento da questão sem querer diminuir, disfarçar, resultou em muitas vidas salvas. Eis a reportagem de 2012: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/11/30/interna_gerais,333602/estudante-morre-dentro-de-republica-em-ouro-preto.shtml E a reportagem de 2015: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/03/republica-em-que-aluno-morreu-por-causa-de-bebida-enrijece-regras.html. Que todos os relatos ganhem as mídias e que mudanças aconteçam! Como está não pode continuar!

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      Débora Andrade 03/26/2015 at 17:41 - Reply

      Parabéns! Que este relato suscite muitos outros! A vida estudantil ouropretana, como todos sabemos, mas poucos admitem traz muitas tragédias! É relatando que vamos alterando a realidade! Abaixo a homofobia!

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      Paulo Gomes 03/26/2015 at 17:50 - Reply

      Há muita coisa a ser dita! Ah! Como há muita coisa a ser dita! Parabéns ao corajoso autor que tão bem descreveu os homofóbicos estudantes de engenharia residentes em Ouro Preto. São de diversos lugares do país, mas encontram ambiente favorável para tais práticas. Que tal ajudarmos a combater, em vez de passarmos a mão na cabeça, em vez de imaginarmos que são apenas alguns? Que tal enfrentar a realidade, o verdadeiro perfil dos futuros engenheiros, que como alguém disse, construirão nossas casas, nossos carros,, nossos computadores, isto é enquanto houver água, a mesma água, que muitos desses engenheiros inteligentemente não conseguem conservar, preservar!

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      Antonio Martins 03/26/2015 at 17:53 - Reply

      Um espaço que deveria ser de formação e de informação ainda se encontra neste atraso?! Parabéns ao autor pelo depoimento-denúncia!

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      pedro machado 03/26/2015 at 18:02 - Reply

      Lamentável o fato!
      Admirável o relato!
      Que muitos sigam nesta trilha e relatem, denunciem!
      Não podemos continuar vítimas dos homofóbicos!
      Desde a minha primeira denúncia, passei a me sentir encorajado para as demais!

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      eduardo chaves 03/26/2015 at 18:05 - Reply

      Eu sobrevivi a esta realidade!
      Mas confesso, nunca mais voltei ou desejei voltar a Ouro Preto!
      Que a temporada ouropretana dos homossexuais possa ser diferente a partir deste novo tempo que se abre com o corajoso relato!
      Parabéns, você estabeleceu um novo marco de relações humanas em Ouro Preto!

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      márcio freitas 03/26/2015 at 18:08 - Reply

      Homofobia institucionalizada? Isto precisa ser amplamente discutido!
      O silêncio apenas fortalece a ação criminosa dos homofóbicos! É com depoimentos, denúncias, relatos, divulgação que venceremos tudo isto! Parabéns!

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      joão carlos fernandes 03/26/2015 at 18:14 - Reply

      Parabéns pela coragem, pela iniciativa, pois muitos já vivenciaram, estão vivendo e nunca expressaram, não falam de forma tão aberta e tão clara! É lógico que os criminosos, os coniventes estão e estarão sempre do lado, apoiando, criticando quem denuncia crimes e criminosos, mas não podemos nos intimidar. É em virtude de tanto silêncio, de tanta vista grossa, que o Brasil chegou onde chegou, ou melhor não chegou! Estamos aí atolados, no fundo do poço por falta de denúncias, por falta de exercer os nossos direitos!

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      Carlos Eduardo Martins 03/26/2015 at 18:20 - Reply

      Parabéns!
      Que os direitos humanos sejam sempre respeitados!
      Que a diversidade seja sempre um riqueza a unir todos!
      Que uma nova formação, mais humanista, seja pensada para estes engenheiros, para todos os estudantes desta universidade! É inconcebível, no século XXI, acontecer isso em nosso país!

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      Claudio Pereira 03/26/2015 at 18:47 - Reply

      Cale a homofobia!
      Parabéns!

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      Diogo Alves 03/26/2015 at 20:27 - Reply

      Estou estupefato com tudo o que li, vi! Já visitei Ouro Preto como turista, fui estudar em São Paulo, tive contato com outras universidades mineiras que não, pelo menos que eu saiba, possuem este cenário grave, pesado! Se tudo o que está relatado já é tão estarrecedor e ainda há muita coisa a ser dita, então…. é de deixar qualquer um sem palavras, estático, imobilizado! Nunca vi tantas ações retrógradas, ao mesmo tempo e num único espaço! Lamentável! Uma vergonha! Coloquem a “boca no trombone”, mesmo!

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      Glayson Toledo 03/27/2015 at 12:48 - Reply

      Parabéns pelo texto! As pessoas tem sim que lutar por aquilo que acreditam, respeitando o espaço do outro. Na verdade a palavra homofobia vem quando a “pessoa” fala que não tem nada contra, mas….. Esse “mas”, é RIDÍCULO, ou tem, ou não tem… Mas… não deve se assumir, ou expor determinadas situações… Porque o hetero pode andar de mãozinhas dadas, se beijar em público e o homossexual nada pode? Tem que se dar o respeito, porque a “família” tradicional não veria com bons olhos? bla bla bla ….. Isso seria HIPOCRISIA, nada mais… Se os homossexuais tem que pagar tantos impostos assim como tal, ele sem sombra de duvidas deveria ter todos direitos. Chega de dizer o que é certo ou errado, vamos amar, cuidar, e zelar pelo nosso próximo. E que TODOS possam ter o mesmos direitos, sem ser apontado, descriminalizado ou viver escondido por uma sociedade que persiste em apontar…..

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      Luiz Fonseca 03/28/2015 at 10:47 - Reply

      Uma página de exercício de cidadania! Para mim, foi uma página de aprendizagem, aprendi muito, me informei bastante e procurarei me aprimorar mais como ser humano que respeita o outro ser humano, a natureza, sempre lembrando que estamos todos numa mesma casa!

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      Carlos André 03/28/2015 at 10:54 - Reply

      As relações humanas assimétricas, de desrespeito, de não considerar os seres humanos é pé de igualdade de direitos, de deveres precisa ser combatida sempre! E todos os que já foram, são alvo de desrespeito aos direitos humanos precisam e devem se manifestar! É assim que vamos começar a extirpar esta lamentável situação.Quem nunca sofreu desrespeito, bem poderia, respeitar os que se manifestam expondo a total falta de respeito, que bem sabemos imperar em determinados segmentos da sociedade, em determinados locais, em determinadas situações.

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      Rodrigo Azevedo 03/28/2015 at 11:52 - Reply

      Quando o respeito é uma constante, seja na vida acadêmica, familiar, profissional, em que esfera for, não há conflito! Somos diferentes, precisamos nos dar conta disso, respeitar o outro, não fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que nos fizessem! Simples assim!

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      Marco Antônio Gomes 03/28/2015 at 12:12 - Reply

      Há mesmo muita coisa a ser dita, Há mesmo muitos preconceitos, muitos crimes a serem combatidos. É irrefutável a afirmação de que estudantes de engenharia, engenheiros nesta região central de Minas vivem envolvidos em crimes de violência quanto à “orientação de gênero”, não só jornais, revistas, sites blogs, boletins de ocorrências, inquéritos policiais, processos e recursos judiciais, assim como bases de dados, pesquisas acadêmicas de organismos, instituições nacionais e internacionais trazem, retratam isto de forma clara e inequívoca. Cabe aos engenheiros decentes desenvolverem um trabalho de conscientização entre a sua própria “categoria” para que tenhamos menos canalhas, cafajestes, calhordas que, cotidianamente, desrespeitam o ser humano. São os “engenheiros com formação, informação” com valores humanos, humanistas é que poderão ajudar a reverter considerável, sensivelmente este triste cenário no Quadrilátero Ferrífero! Quem mora aqui, sabe que é “uó”!

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      Jorge Ribeiro 03/28/2015 at 16:30 - Reply

      O mundo, o Brasil precisam de mudanças de paradigmas! E Ouro Preto, os estudantes de engenharia de lá então, nem se fala! Acorda, minha gente!

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      Vinícius Melo 03/28/2015 at 16:33 - Reply

      Em pleno século XXI, numa cidade que recebe visitantes do mundo inteiro e esta mentalidade? Que absurdo!

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      Márcia Machado 03/28/2015 at 16:38 - Reply

      Parabéns a todos pelos relatos-denúncias! Que todos estes disparates que, lamentavelmente, ainda acontecem, venham sempre à tona! Nada de varrer para debaixo do tapete! Chega! Que Ouro Preto, os que nasceram, os que residem, os que vão para estudar, os que vão para passear, independente da “orientação de gênero”, que todos sejam respeitados, tratados com dignidade! Isto é o mínimo do mínimo!

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    Anael Espeschit 03/26/2015 at 12:02 - Reply

    Boa tarde, Gostaria de falar ao autor, Muito chato e errado isto que você passou entre universitários este preconceito já deveria ser passado. Já fui bicho em Ouro Preto, e conheço bem a postura da galera, no inicio é foda, e mais: os estudantes das republicas federais não tem autonomia legal para te recusar não (mas ia ser uma m&rd@ morar com quem não te quer) . Mas discordo de você em um ponto. Ouro preto não é uma cidade para no tempo não, e algumas das maiores mentes que conheço estão ai. Não julgue o todo pela parte, você ainda não conhece este lugar magnifico e com o tempo também vai aprender a amar estas montanhas de inverno gelado e verão sufocante.

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      Roberta Matos 03/26/2015 at 15:01 - Reply

      Há muita coisa a ser dita! E precisa ser dita! Ao contrário dos/das, que são coniventes, felizmente, há os que denunciam! Outro exemplo emblemático, como este, para ser seguido foi o deplorável caso dos engenheiros (futuros engenheiros, estudantes de engenharia/UFMG) estupradores! É preciso denunciar! O mundo inteiro acompanhou e está acompanhando com olhos bem abertos e ações bem atentas os “engenheiros estupradores”:de Minas http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/09/alunas-lutam-contra-violencia-sexual-com-mulheres-em-universidades.html

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        Carla Ferreira 03/26/2015 at 18:33 - Reply

        Que todos os relatos de violência sejam sempre trazidos à tona, só assim construiremos uma sociedade de verdade, igualitária, democrática! Cumprimentos a todos que, com seus relatos, estão tornando o Brasil, no caso Minas Gerais, a região de BH (que me pareceu a maioria) mais transparente!

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        Ana Maria Andrade 03/26/2015 at 18:38 - Reply

        Parabéns a todos pelos relatos! E como muito apropriadamente já foi colocado em inúmeros comentários, tanto a homofobia, quanto a violência de gênero, o feminicídio são crimes que precisam ganhar as discussões reais, virtuais para que alteremos de fato este lamentável quadro que vivemos! Que todos se respeitem! Que respeitemos os relatos de todos! Que possamos viver em harmonia, sem violência, seja ela física, sexual, psíquica, moral! Sem nenhuma violência e com respeito, sempre!

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        Amanda Maria 03/26/2015 at 18:45 - Reply

        Parabéns! Uma página muito rica, com diversas experiências, relatos de pessoas com variados perfis e suas experiências nada agradáveis com a violência sofrida em relação a gênero e sexualidade! Que este assunto seja muito discutido, que não seja varrido para debaixo do tapete, como sempre ocorre no Brasil e principalmente em Minas, que tantos tabus são mantidos.por séculos e séculos! Que toda a violência seja revertida e possamos ter homens e mulheres que construam, não destruam, que respeitem e não desrespeitem! Homens e Mulheres num mundo melhor!

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    Eliana Varela 03/26/2015 at 13:28 - Reply

    Os “engenheiros de Minas” (o trocadilho é proposital, pois realço engenheiros, que estudam em Minas, engenheiros de mineração, sempre os piores!), como é do conhecimento de todos, pois os inquéritos policiais, os processos judiciais estão aí, ilustram as muitas pesquisas acadêmicas que demonstram ser esta “categoria de indivíduos” a que mais pratica crimes contra mulheres (Lei Maria da Penha, Lei Carolina Dieckmann etc) e também de forma enfática contra homossexuais. Relatos como este são cotidianos, frequentes, recorrentes no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Eu acredito que esta questão em Minas deveria ser tratada como de “saúde pública”. Via de regra, o comportamento deles é padronizado, todos são abomináveis, ignominiosos, detestáveis, nojentos, podres! Só quem já foi vítima de alguma ação maléfica, sórdida, mesquinha, repugnante, suja de um “engenheiro de minas, Minas, mineração e congêneres” é capaz de alcançar o que eu também exponho aqui! Precisamos nos unir e dar um “BASTA” neste comportamento “sui generis” dos engenheiros de Minas!

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      Isabela 03/26/2015 at 14:20 - Reply

      Eliana, estamos falando justamente em acabar com o preconceito, e vc faz um comentário desses? Más pessoas existem em todos os lugares, cursos e profissões…
      Tenho diversos amigos “Engenheiros de Minas” que estão longe de se enquadrar em qualquer dessas características que vc citou. O que precisamos mesmo e parar com essa generalização!

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      Julieta 03/26/2015 at 15:32 - Reply

      Meça suas palavras e controle suas generalizações, parça.

      Se não fosse por engenheiros de minas (e outros profissionais, logicamente, mas isso não vem ao caso no momento), você quiçá não teria um teto para morar, um carro para andar ou esse dispositivo eletrônico que utilizou para digitar tamanho absurdo.

      Queremos unir, não segregar!

      Beijos na alma.

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      Carlos Vaz 03/26/2015 at 16:20 - Reply

      Todos os que lutam por uma sociedade democrática, justa, igualitária, na qual todos possam se expressar, livremente, estão “procrastinando”=comentando, por um lado, com júbilo pelas manifestações, que expõem as mazelas que vivemos, pois não é segredo para ninguém, é até histórico-cultural esta postura (que precisa ser modificada!) de preconceito, homofobia, brutalidade, maus-tratos por parte de muitos engenheiros, que atuam neste recorte espacial denominado Quadrilátero Ferrífero (Belo Horizonte, Nova Lima, Ouro Preto, Mariana, Sabará, Rio Piracicaba, Congonhas, Casa Branca, Itaúna, Itabira, Santa Bárbara, entre outras). Recentemente, li reportagens sobre uma mineradora que foi autuada por manter pessoas em condição análoga a de escravo. Fiquei a pensar, justamente, nos chefes, nos engenheiros que estavam nesta obra e nada faziam, nada fizeram e um comentário, que me chamou muito a atenção foi sobre, justamente o momento de formação acadêmica destes engenheiros. Coloco se não seria o caso de procurar incutir valores mais humanistas nesta fase da vida do engenheiro em formação, valores de respeito ao ser humano? http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/03/1603540-vale-e-autuada-por-manter-pessoas-em-condicao-analoga-a-de-escravo.shtml

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        Augusto Rocha 03/26/2015 at 17:01 - Reply

        Todos temos que cumprimentar o autor pela coragem do depoimento! É público e do conhecimento de todos, tudo o que foi narrado, mas nunca foi, nunca é admitido! Que tal enfrentarmos a verdade? Como a água vai acabar e isto não tardará, não haverá mais casas, nem carros, tampouco equipamentos eletrônicos, logo não teremos mais engenheiros, apenas pessoas de verdade e que beijam no coração, na alma, de verdade!

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      Marcela Santos 03/26/2015 at 17:38 - Reply

      Parabéns para os depoimentos, para os depoentes! É muito importante que todos se manifestem, pois muitas ações, condutas passam décadas, séculos veladas, sem que seja de conhecimento amplo, apenas restrito a alguns poucos e com a circulação das informações na era das redes sociais podemos tornar tudo mais transparente! Cada qual expondo seus relatos, que muitas vezes coincide com o de milhões que não puderam, não conseguiram, não quiseram se expressar! Que o respeito pelo outro como ser humano, independente de gênero, de sexualidade seja uma constante! Pois quem respeita é respeitado! Se houvesse respeito não haveria necessidade destes relatos, que não deve ser nada agradáveil para quem os faz, por ter que reviver ações e posturas tão desagradáveis já vividas!

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      Maria Bueno 03/26/2015 at 18:30 - Reply

      Que todas as violências sejam sempre relatadas e combatidas! Ao se tornarem públicas tais questões, encorajamos muitas vítimas dos mesmos tipos penais, muitas vezes praticados com os mesmos “modus operandi”, por determinados grupos contra grupos específicos. Com estes relatos sempre despertamos muitas vítimas para o fato de que elas não são caso isolado, muito pelo contrário, são um caso num coletivo de muitos casos semelhantes/iguais! Que todos possam relatar as violências sofridas para que o respeito pelo ser humano seja uma realidade em nosso país, em nosso estado de Minas, que possui índices alarmantes de violência contra as mulheres, contra os homossexuais! Parabéns a todos que fizeram seus relatos!

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    Marta 03/26/2015 at 13:33 - Reply

    Maravilhoso, e parabéns pela coragem de mostra o mundo como ele esta e como poderia ser, se todos se vissem como mero seres humanos , iguais e com grandes possibilidades se serem realmente felizes.
    Não para não, porque o tempo não para.

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      Paulo Campos 03/26/2015 at 14:49 - Reply

      Parabéns pelo competente, arrojado depoimento! E que bom que tenha sido dado nome aos bois, que tenha mostrado um caso concreto com sujeito, predicado, objeto direto, objeto indireto, adjunto nominal, adjunto adverbial! Frases, orações, períodos explícitos! É preciso acabar com o receio de denunciar! Tudo precisa vir à tona, não só em Ouro Preto, em Minas, mas no Brasil! E, especialmente, em lugares onde tudo é velado, obscuro, não se pode falar, não é de bom tom comentar, onde tudo é abafado, onde se faz vista grossa para tudo! Bravo, bravíssimo! Que as portas, as janelas, inclusive as dos porões da vetusta Vila Rica, Ouro Preto estejam sendo abertas, escancaradas! Vão espernear? Vão! Mas chega de hipocrisia, de meias verdades! Escancaremos as portas e as janelas de todas estas condutas que precisam ser extirpadas!

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      André Paiva 03/26/2015 at 15:54 - Reply

      Parabéns a todos pelos depoimentos! Vejo todas as manifestações muito bem delineadas, bem recortadas, expressas de forma precisa, pontual, todos deixam bem claro, quem, onde, quando, como, por quê as situações nada abonadoras praticadas por engenheiros, acontecem, aconteceram. Os relatórios oficiais que mensuram, tabulam as agressões dirigidas a homossexuais, a mulheres são amplamente divulgados, conhecidos!Em Minas Gerais, os índices são alarmantes! O Brasil precisa de transparência! Chega de “Inconfidência” com a Verdade!

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      Flávio Vieira 03/26/2015 at 16:36 - Reply

      O depoimento é assustador, mas quero crer que será encorajador para muitos, que já passaram, passam por esta situação para que também se manifestem! Parabenizo o autor! Os depoimentos denotam bem as camadas, a diversidade da atual sociedade brasileira, desde consumistas até humanistas! Ratifico, reitero e cumprimento o comentário, que sugere pensar a formação acadêmica de nossos futuros, importantes, necessários, (em alguns casos, admirados, admiráveis) engenheiros! Sou filho de um engenheiro, felizmente, um homem honrado,sensível, minha mãe, irmãos, irmãs, amigas, colegas de trabalho, pessoas com as quais ele conviveu, comunidades onde ele construiu, contribuiu o festejam como uma pessoa de bem, que fez e faz a diferença! Mas não podemos negar que os engenheiros estão em alta nas notícias que apresentam não só agressores, estupradores, caluniadores, difamadores, injuriadores, mas também corruptores e destruidores de recursos naturais. Diante de problemas tão graves como estes devemos ser altaneiros, não no sentido de soberbos, mas de olhar e enfrentar a situação na sua totalidade, todos os lados da questão! Chegaremos lá!

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    Fernanda Castro 03/26/2015 at 13:51 - Reply

    Já que vivemos um momento em que a sociedade brasileira está RESSIGNIFICANDO tudo! Que a homofobia, em geral, seja revista, discutida, repensada. E a homofobia, o feminicídio, o ódio que determinados homens (e sabemos que, em altos índices, os engenheiros) nutrem por, ou melhor, contra, homossexuais, mulheres ganhe mais visibilidade na mídia, na imprensa, que sejam dadas mais oportunidades de discussão para a reversão desta lamentável situação. Parabéns pelo depoimento! Avante na luta que deve ser de todos os que não são coniventes com este lamentável ‘status quo’!

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    Viviane Maria 03/26/2015 at 14:10 - Reply

    Parabéns pelo alentado depoimento! Que seu exemplo seja seguido! Que exponhamos a verdade sobre os engenheiros em, de Minas! Moro em Belo Horizonte e frequento todas as cidades do entorno onde há muitos engenheiros, formados na UFOP, UFMG, PUCMINAS e todos os dias, a todo instante, tomamos conhecimento de episódios lamentáveis como este, muitos crimes, que vão desde crimes contra a honra: calúnia, injúria, difamação, crimes cibernéticos, passando por crimes sexuais: constrangimento ilegal, estupro assédio sexual, até crimes contra a vida! E os criminosos engenheiros posam de homens honrados nas redes sociais, tanto presenciais quanto virtuais, seus comparsas, que compõem as quadrilhas aplaudem, curtem, comentam, compartilham o “lixo irônico, eletrônico”! E assim, com o sarcasmo e o deboche peculiares aos engenheiros, caminha a humanidade… Registro aqui uma convocação: para todos que não compactuam com os criminosos engenheiros,para muito além dos diretamente afetados, as vítimas, mas para todos os que se indignam com este tipo de comportamento, colaboraremos para que formemos uma rede de combate, uma rede, para muito além de identificar, caracterizar, punir, mas também mudar a mentalidade!

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    Marisa Paiva 03/26/2015 at 14:38 - Reply

    Excelente depoimento! É mesmo lamentável, mas é do conhecimento de todos que os principais alvos dos engenheiros são homossexuais e mulheres belíssimas, inteligentíssimas, competentíssimas! Há um estratosférico registro quantitativo e qualitativo de investigações policiais relativas a ações das mais variadas naturezas praticadas por engenheiros contra os homossexuais e as mulheres consideradas “fora da faixa”, exuberantes, estonteantes, ambos são as criaturas, que mais perturbam, incomodam os quase sempre descompensados “engenheiros”! Para mim, não é só caso de polícia, de inquérito policial, de justiça, de processo judicial, mas de psiquiatria, de tratamento! E todos nós, que presenciamos, que tomamos conhecimento destes casos absurdos devemos rechaçar, repudiar estes engenheiros e suas respectivas condutas! Só assim vamos construir uma sociedade mais digna, equânime, democrática!

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    Carol Machado 03/26/2015 at 15:13 - Reply

    Grandioso depoimento! É disso que o Brasil mais precisa nesse momento de embates e confrontos! Sem meias verdades! Vamos rasgar o verbo, gente! Chega de hipocrisia! Chega de tentar tapar o sol com a peneira aqui e ali! Podem até existir exceções, mas aqui está se tratando de situações reais, concretas em relação a engenheiros e seus comportamentos reprováveis! Nasci em BH, moro em Sabará, trabalho em BH e todos os dias ouço histórias deploráveis e lamentáveis sobre engenheiros e preconceitos, além de outras condutas que não vou abordar, já que a pauta é, para mim, na verdade, no fundo, a dificuldade destes pobres coitados em lidar com o feminino, que tanto os fascina, mas que eles não têm habilidade para conviver, desfrutar de forma harmoniosa, saudável! Que todos se expressem, sem cerceamentos! E se existem engenheiros bacanas e não sacanas, que eles se manifestem mais, pois ninguém os vê, ninguém sabe da existência deles!

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    Maria 03/26/2015 at 15:33 - Reply

    Parabéns pela coragem. Me formei na Univerdidade Federal de Ouro Preto, e posso dizer que é uma Universidade que tem o seu diferencial, o espírito republicano nos ensinam coisas para o resto de nossas vidas. As pessoas que fazem faculdade em Ouro Preto tem o seu diferencial.
    Quando cheguei em OP, as repúblicas federais estavam passando por um período delicado. Muitas possuíam 2, 3, 4 moradores (em casas onde cabiam 10), foi cogitado o possibilidade de fechar, quem ajudava nas contas era os ex-moradores. Sabe por quê? Ninguém estava mais disposto a passar o “período de batalha” sendo humilhado, bebendo doses de pinga (estipulado pelos moradores), ter as roupas escondidas em outras repúblicas, passar dias e dias com 1-2 trocas de roupas, ficar 6 meses até mais de 1 ano andando nas ruas com uma placa enorme incômoda, cabelo horrível (no caso dos homens), ser tratado como uma pessoas inferior aos outros. Ninguém mais queria passar por isso e os calouros foram escolhendo repúblicas particulares, onde o trote é bem mais tranquilo e saudável, era preferível pagar que ter que passar por tudo aquilo. Os moradores das repúblicas federais tiveram que começar a rever suas atitudes, perceberam que se eles não mudassem a postura, nenhum calouro iria para essas repúblicas e seria o fim de algumas. Pelo que vejo hoje, muita coisa mudou.
    Espero que um dia esta postura em relação aos homossexuais melhore, o caráter de uma pessoa não é medida pelo sua preferência sexual, mas pelas atitudes em relação ao próximo.

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    Márcio Soares 03/26/2015 at 15:33 - Reply

    Magnífico, magnânimo o depoimento, o autor! Brasileiros, Mineiros, Ouro-pretanos enfrentemos a verdade nua e crua: preconceito, racismo, homofobia! Condutas desrespeitosas em relação a condição social, econômica, cultural, etnia, gênero, sexualidade! Isto é uma realidade! Não fujamos, enfrentemos a realidade! Que todos comentem, que todos se posicionem! O diálogo, o debate, as denúncias é que promovem mudanças!

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    Felipe Melo 03/26/2015 at 15:41 - Reply

    Parabéns pelo consistente e embasado depoimento! Há que se mostrar a situação como ela é ,de forma ampla e irrestrita! Sempre soube desta situação relatada aqui neste espaço, por narrativas de colegas, que estudaram em Ouro Preto, mas todos ofendidos sempre se calaram! Eu nunca havia lido um depoimento tão claro! Parabéns! Que muitos outros contem, relatem, só assim vamos mudar o nosso Brasil!

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    Henrique Carvalho 03/26/2015 at 16:38 - Reply

    Cumprimentos pelo depoimento! Fora homofobia!

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    Rodrigo Alves 03/26/2015 at 16:45 - Reply

    Nota 10 para o relato! Um verdadeiro retrato da homofobia, da hipocrisia, do preconceito, da perseguição dos engenheiros, que estudam em Ouro Preto e que, lamentavelmente, muitos insistem em empalidecer, maquiar, diminuir, mitigar, suavizar, mas que aquele que sofre, conhece bem! O que esperar de um engenheiro destes depois de formado? É esta sociedade que queremos?

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    Fábio Rodrigues 03/26/2015 at 16:54 - Reply

    Parabéns pela coragem! Que sua atitude inspire muitos outros relatos, mobilizações! Eu sou carioca, hetero, estive, recentemente, com minha esposa e amigos estrangeiros, várias nacionalidades e homossexuais, em Ouro Preto, e passamos por situações constrangedoras de homofobia, com xingamentos verbais, mas como nossos convidados não entendem português, não se deram conta. Nós vivemos um drama, naqueles instantes, sem saber o que fazer e mais surpresos ficamos com os relatos de umas estudantes sobre preconceitos de homofóbicos estudantes de engenharia em relação a homossexuais que são estudantes de outros cursos, colegas de universidade! Que lamentável! Uma cidade tão bonita e com estudantes deste naipe! A universidade precisa se preocupar em formar cidadãos, não apenas engenheiros!

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    Douglas 03/26/2015 at 17:03 - Reply

    Admirável o depoimento! Lamentável o acontecimento!

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    Isabela Gonzaga 03/27/2015 at 17:50 - Reply

    Parabéns a todos que participaram da manifestação hoje! Já passou da hora de repensarmos, enquanto comunidade acadêmica, esses comportamentos inaceitáveis!
    Aproveitando a discussão, fica o convite para tod@s para o Simpósio Multiplicando Gêneros em Saúde, que ocorrerá no Cine Teatro Vila Rica, de 21 a 25 de maio. Serão realizadas atividades de cunho científico e cultural, para estudantes e profissionais de todas as áreas. Mais informações no site: https://multiplicandogeneros.wordpress.com/

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    Wayne Rooney 03/29/2015 at 04:27 - Reply

    Cara, cultura de ESTUPRO?! Como assim, que palhaçada cara, que tipo de acusação pesada é essa? Além do mais, é só em Ouro Preto que é mais barato para mulher? Já vi em vários lugares preços mais baratos para mulher.Tem muita coisa errada nesse texto, é um ponto de vista de alguém que acabou de chegar em Ouro Preto, e não sabe a realidade das Repúblicas, tanto as federais quanto as particulares, não sabe nada daqui. A “batalha” existe por um motivo, os veteranos que já estão lá, fizeram muitas coisas pela republica, trabalharam muito, fizeram ela crescer, isso dá o direito dele escolher quem irá morar com ele, de saber se o calouro que acabou de chegar, fará a parte dele, e contribuirá, “batalha” é só um termo, não quer dizer que o calouro sofrerá trotes e passará apertos. O texto coloca a “culpa” de várias coisas em Ouro Preto, a “rivalidade” de cursos, existem em TODAS, Universidades do Brasil e do mundo, é uma coisa normal, alguém de exatas faz uma piada que o de humanas não sabe fazer conta, que não consegue fazer 1 + 1 sem a calculadora, os de humanas falam que os de exatas não conseguem escrever corretamente, que escrevem hotel com “O” ou qualquer besteira, são PIADAS, ninguém morre por causa disso. Além do mais, você não pode morar nas repúblicas, ok! Do mesmo modo que você tem direito a escolher sua sexualidade, os republicanos tem direito de escolher com quem morar, seja qual for o motivo, você apenas não foi aceito, ninguém atirou pedras! Quanto ao argumento de republicas terem que abrigar quem não pode pagar uma casa ou uma república particular (pessoas de baixa renda familiar), existem os alojamentos, além do mais que se for provado que não tem dinheiro, a pessoas será colocada em uma republica federal( caso não haja vagas nos alojamentos) , sem falar nas diversas bolsas e auxílios existentes na UFOP. ( me manterei anônimo, pois hoje discordar de um homossexual é a pior coisa do universo)

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    DÉBORAH 03/29/2015 at 08:27 - Reply

    Morei em Ouro Preto, como estudante e um tempo depois como professora do ensino fundamental…quando cheguei a cidade achei que encontraria no ambiente universitário mentes mais abertas e tive uma grande decepção nesse sentido…encontrei tanto conservadorismo. Apesar dos amigos e momentos maravilhosos que tive enquanto universitária lá, tive muitos problemas em entender essa homofobia, a qual é motivo de orgulho para alguns, infelizmente. Na república onde morei sempre tivemos tanto amigos héteros quanto gays (que fique claro que não acho isso nenhum mérito, deveria ser natural)…mas, infelizmente, a primeira pessoa a se assumir gay ao entrar na casa chegou apenas em 2008 (quando a república já existia há 26 anos) e essa pessoa acabou não ficando na república, mas por motivos distintos da sua sexualidade. Somos uma república que tinha fama de “ter muitos amigos gays”, nunca vi ninguém reclamar de alguém ter muitos amigos héteros, por exemplo (dã!). Tivemos brigas e rompimentos com conhecidos de outras repúblicas por causa de nossos amigos. Um desses amigos, inclusive, morou com a gente uns tempos, pois “não se encaixou” nas repúblicas masculinas -absurdo! Tenho orgulho de estudantes que têm coragem de colocar essas pautas, debater e reclamar. ficarei feliz no dia em que não existir tamanha segregação nas repúblicas, inclusive ficarei muito feliz no dia em que elas não precisarem mais se dividirem entre femininas e masculinas. Sobre o sistema de repúblicas deveríamos nos ater ao que tem de bom, mas nos livrar de tudo que possa ter de errado e desumano. Sempre bom lembrar também que uma moradia pública não pode excluir ninguém pelo preconceito.

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    Naldo 03/29/2015 at 20:28 - Reply

    A homofobia é uma velha senhora, que habita os porões da UFOP desde sempre. Sempre esteve presente nas repúblicas, na práticas da tradição da Escola de Minas, nas festas do CAEM, nas salas de aula de engenharia e no dia a dia dos estudantes. Ser gay na UFOP e cursar Engenharia Metalúrgica ou de Minas é prova de sobrevivência. Só os fortes chegam ao fim. Cursei Engenharia de Minas no final da década de oitenta, e já era gay assumido naquela época. Nem precisa dizer que não morei em República, pois não era aceito em nenhuma. Minha postura era odiada pelos alunos e por muitos professores também. A chamada tradição da Escola de Minas me rejeitava, e eu era perseguido por onde ia na Universidade. Como era bom aluno, e me sobressaía pela competência a rejeição era maior ainda. Nas repúblicas mais tradicionais, minha entrada era barrada. Nunca pude frequentar uma festa nas repúblicas, pois era persona não grata nelas.Era tratado como doente ou sem vergonha por ser gay. De nada valia minha competência. Meu maior pecado era ser “viado”. Os próprios professores manifestavam esse preconceito. Apesar de sempre manter minha mensalidade paga mensalmente em dia, eu sempre era barrado no CAEM. Mas eu fazia questão de ir lá, pois meu maior prazer era azarar os machões da engenharia. Me formei e não consegui emprego na área, pois todos sabiam que eu era gay e ninguém queria um viado numa mineração. Tentei ajuda com ex-alunos, mas nunca me deram uma chance. O tempo passou e acabei conseguindo emprego por minha competência, distante da influência da UFOP. Hoje sou engenheiro senior e levo minha vida feliz, sendo o gay que sempre fui. Nunca mais voltei à UFOP, a não ser a passeio em Ouro Preto. Meu nome foi riscado da história da Escola de Minas. Ninguém se lembra de mim. Meus trabalhos (relatório de estágio, dissertação de curso de especialização e mestrado) sumiram da biblioteca ou foram roubados. Não tenho foto em república nem em quadros espalhados pela escola. Mas tenho muito o que contar sobre o que sofri na UFOP. Não pertenço à gloriosa história da Escola de Minas, mas tenho cicatrizes das lutas que lá travei

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    Danny Tonidandel 03/30/2015 at 14:06 - Reply

    Caro amigo, continue firme em seus propósitos! Só assim teremos (um dia) uma universidade realmente aberta! Sou engenheiro e professor da Escola de Minas, mas não comungo deste posicionamento vil e opressor por parte de alunos e professores. Acredito que a Escola de Minas como instituição, por força das tradições, ainda vive das glórias efêmeras do passado. Devemos lutar ainda contra os preconceitos promovendo a liberdade! A Vila Rica se eternizou pelas mãos dos inconfidentes e, ainda hoje, sofre sob o jugo imperioso das ideias opressoras! Que mais jovens como você tenham a coragem de dar o grito de liberdade!

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    Dulce M Pereira 03/31/2015 at 14:34 - Reply

    Sou professora da UFOP. Vou participar da descolonização de mentes, juntamente com este novo e corajoso discente, e da demolição de conceitos perversos e obsoletos , como a homofobia, onde quer que se manifestem.

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    Aurélio Soares 05/05/2015 at 22:38 - Reply

    Parabéns pela coragem. Uma pena que depois de 10 que passei por essas terras as coisas ainda parecem paradas no tempo nesse campo. Mesmo cursando engenharia e sendo hetero não me privei da companhia de ninguém e sou eterrnamente grato pelas experiências que isso me proporcionou. Trabalhei com muita gente do ICHS e tive vários colegas homossexuais, sem me fazer “menos homem” com isso.

    O que posso desejar é força e não desista de OP por isso! O ladop bom da cidade e tudp que ela proporciona compensaram essa batalha. E você com certeza já está deixando uma marca para !udar o status quo.

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    Mateus H 10/15/2015 at 17:30 - Reply

    Olá, parabéns pelo texto, é muito importante que tudo isso seja denunciado. Estou iniciando meus estudos na UFOP agora no segundo semestre de 2015. Sou gay, porém não me assumi pra ninguém, até por meus pais estarem junto comigo aqui no começo. Nas repúblicas em que visitei, mesmo não assumindo, já pude perceber um pouco essa mentalidade quando ouvia “Vc gosta de mulher? Aqui vc vai pegar muita mulher!” Acabei optando por ficar em uma kitnet, mesmo que gastando mais, por medo e também porque acho que o excesso de festas nas repúblicas acaba prejudicando um pouco a vida acadêmica. Por ser uma cidade com um caráter mais universitário, espera que fosse bem mais inclusiva e respeitosa, e tendo me mudado pra Ouro Preto há menos de uma semana, é muito triste já saber disso. Quanto a essas repúblicas que são mais inclusivas e que nos respeitam mais, seria interessante que pudessem ser divulgadas, ou ao menos informadas por email para quem tiver interesse, pois seria um forte apoio a outros LGBTs que também se deparam com essa situação em Ouro Preto, ou talvez até mesmo a criação de um grupo no facebook para que nós mesmos consigamos nos apoiar nessas situações.

    • Blob
      Blob 09/02/2016 at 00:46 - Reply

      Há um grupo chamado Diversa Ouro Preto com muita gente LGBT da faculdade. Entra lá!

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    Matheus Motta 10/14/2018 at 05:14 - Reply

    Muito bom esse texto. Me esclareceu muito sobre o contexto da cidade. Sou do Rio e curto muito ir pras cidades de Minas, sempre me deparo com boa recepção. Ouro Preto teve algo diferente. Passando o feriado, conhecia muito pouco ou quase nada das interaçoes universitárias e das tão expoentes repúblicas. Fui sozinho indo buscar qual era meu espaço de diversão ali. Muito animadas as festas, só encontrei ambientes heteronornativos, e reparava que me destacavam, porem sem a certeza de ser positivo ou negativamente, mas nao havia interesse de socializar como cocostumeiro. Pensei que nao havia ido aos lugares certos certos. Fazendo uma rapida pesquisa, me interei mais de algumas informações e notei q nao havia nenhuma correferência da legenda LGBT e as republicas, ate que vim parar aqui e lendo, tudo fez sentido. Lamentavel, o peso histórico da cidade (linda e interessantíssima ) e da universidade incentivarem uma abordagen e postura de segregacao e repulsa a diversidade. Sou da Ufrj, de humanas, e pelo menos agora terei interesse avido de de visitar Mariana e ver um outro parâmetro mais amigavel e menos excludente. Triste demais essa homofobia sintomática UFOP.

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